para Dário Júlio
dois amigos saem com estratégia planejada
de fazer poemas
a última vez que se olharam, bêbado, um deles
deitava ao chão
como depois verificou-se novamente lá pelas
tantas da noite cêntrica
no deitar-se de quem deita-se sobre as próprias
esperanças,
de costas,
à limpeza e jubilosa caretice
que por aí ainda chamam de quietismo
oníricas ideias de passagem não agradavam
o que gostava de certa retidão
torta,
temperamental
e da gangorra absurda da
justiça que só é, mediante corrupção e
[vice-e-versa
as dores de cada um não comoviam, como não comovem
as dores de qualquer um na noite central depois de
fechadas as portas das lojas e abertas as portas dos
puteiros
a essa hora as dores são lugar comum, na ponta da língua
no despontar dos punhos
deram-se conta,
a noite atrasara
a confecção dos versos
mas apenas em horas
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