quarta-feira, 5 de agosto de 2015

(saindo do marquês)
para Rodrigo M Leite

rapaz,
fazia um calor
infernal
o range range
do metal
se confundia
com a metaleira
da banda de forró

chapa,
nunca pensei
que sentiria
saudades desse som
                [dos infernos

as ideias derretidas
sobre o colo
no bule da cachola
fervidas sob um sol
equatorial
                 [impecável

talvez dois
um na frente
outro atrás(o)
no retorno

talvez
n  m   c
o  e    a
    s    i
   m   x
   o    ã
         o
metálico

gente boa
gente ruim
gente com farda
da escola estadual

gente CARETA

as vidraças da engecopi
d e f o r m a n d' u m
p o s t e q u e m a i s
parecia
uma...
bem,
uma Geni-Tália feminina.
(tempo fechado)
para Dário Júlio

dois amigos saem com estratégia planejada
de fazer poemas
a última vez que se olharam, bêbado, um deles
deitava ao chão
como depois verificou-se novamente lá pelas
tantas da noite cêntrica
no deitar-se de quem deita-se sobre as próprias
esperanças,

de costas,
à limpeza e jubilosa caretice
que por aí ainda chamam de quietismo


oníricas ideias de passagem não agradavam
o que gostava de certa retidão
torta,
temperamental
e da gangorra absurda da
justiça que só é, mediante corrupção e
                                          [vice-e-versa

as dores de cada um não comoviam, como não comovem
as dores de qualquer um na noite central depois de
fechadas as portas das lojas e abertas as portas dos
puteiros
a essa hora as dores são lugar comum, na ponta da língua
no despontar dos punhos

deram-se conta,
a noite atrasara
a confecção dos versos
mas apenas em horas

seje irracional